"Instinto de lucro", "sede de ganho", de dinheiro, do maior ganho monetário possível, não têm abosultamente nada a ver com o espírito do capitalismo. Esta aspiração encontra-se e encontrou-se em criados, médicos, cocheiros, artistas, prostitutas, fucionários corruptos, soldados, salteadores, cruzados, jogadores, mendigos, em "all sorts and conditions of men", em todas as épocas e países do mundo, desde que para isso houvesse ou haja possibilidades objectivas. [...] Uma sede de ganho ilimitada de modo nenhum é idêntica a capitalismo, e ainda menos ao seu "espírito".
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O ganho de dinheiro, e de cada vez mais dinheiro, com a mais estrita abstenção de todos os prazeres simples [...] é de tal modo considerado um objectivo em si, que em comparação com a "felicidade" ou o "proveito" do indíviduo parece algo de transcentente e puramente irracional". O ganho é considerado objectivo da vida do homem, e já não como meio de satisfazer as suas necessidades materiais"
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Ao mesmo tempo que se assistia à transformação e influência exercidas pelo ascetismo sobre o mundo, estes bens superificiais adquiriram um poder crescente e depois irresístivel, sobre os homens, como nunca antes acontecera na história. Hoje o seu espírito escapou-se dessa estrutura, quem sabe se para sempre. O capitalismo triunfante, após ter adquirido bases messiânicas, já não precisa desse apoio. [...] A ideia do "dever profissional" ronda pela nossa vida como um fantasma dos conteúdos religiosos do passado. Nos casos em que a "realização do dever profissional" não pode ser directamente ligada aos valores espirituais e culturais mais elevados - ou, ao contrário, quando tem de ser compreendida subjectivamente como uma coacção económica -, o indivíduo de hoje acaba por renuncia a qualquer tentativa de justificá-la. A procura de riqueza, no lugar de maior desenvolvimento, os Estados Unidos, tende, despida do seu sentido "ético-religioso, a associar-se a paixões competitivas, que lhe conferem não raro o carácter de desporto. Ainda ninguém sabe quem habitará essa estrutura vazia no futuro e se, ao cabo desse desenvolvimento brutal , haverá novas profecias ou um renascimento vigoroso de antigos pensamentos e ideais. Ou se, não se verificando nenhum desses dois casos, tudo desenbocará numa petrificação mecânica, corada por uma espécie de auto-afirmação convulsiva. Nesse caso, para os "últimos homens" dessa fase da civilização, tornar-se-ão verdade as seguintes palavras: especialistas sem espírito, folgazões sem coração: estes nadas pensam ter chegado a um estádio da humanidade nunca antes atingido". (Falta cota nesta passagem, que não sei se é gralha ou se de propósito Weber não cita Nietzshe). Assim entramos no campo dos juízos de valor e de fé, com que esta esposição histórica não deve ser sobrecarregada".
1905
A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo - Max Weber, Editorial Presença, Lisboa, 1990
Os primeiro parágrafos encontram-se no início deste livro e o último já no final.
Mais de um século depois deste escrito, tudo na mesma. As mesmas dúvidas também.
Nos anos 60 do século passado acreditou-se viver o nascimento de um novo espírito. Pressinto que esteja vivo. Esse espírito ainda não está formado. Primeiro temos de gramar esta fase de apenas Anti-Capitalismo.
Os profetas do capitalismo estão muito bem identificados por Weber. Onde páram os profetas para um novo espírito?