The only thing necessary for the triumph of evil is for good men to do nothing”.
Edmund Burke (1897-1993)

Eleições: Oh! What to do?

Em 1985, apesar de não ter ainda idade para votar já não era uma criança e queria começar a pensar nisso para tomar uma boa decisão quando chegasse a hora de exercer esse direito e dever de adulta. Percebia que havia Esquerda e Direita mas não percebia exactamente onde estava a diferença. Isto é, em termos ideológicos podia compreender mas depois as pessoas à minha volta que se diziam de uma coisa ou de outra não faziam com que a coisa batesse muito certo.
Muitas pessoas de "direita" são mais "revolucionárias" do as de "esquerda" que assumem demasiadas posições "conservadoras".
Espantava-me com isso e ainda hoje me espanto:
Espanta-me que a Igreja Católica assuma posições conservadoras quando a maioria dos ensinamentos cristãos são altamente revolucionários.
Espanta-me que os partidos de esquerda não conjuguem esforços neste momento para propor uma verdadeira alternativa.
Espanta-me que os "grandes" partidos ganhem simpatias como se fossem clubes de futebol. 
Espanta-me que com tantos cursos de Política e Direito e Economia e Sociologia e todas essas coisas, não venham à luz bons ensinamentos.
Espanta-me que a Televisão seja usada para criar lixo e não para ajudar a educar os cidadãos ainda por cima incultos deste país.
Se o bom exemplo não vier dos que têm poder sobre a sociedade, então só por "revolução" é possível a continuidade das coisas e da vida.
Em todas as profissões há bons e maus profissionais. Os que têm responsabilidade sobre outros cidadãos têm que ser exepcionalmente bons. Há pessoas assim mas não estão nos partidos. Nem querem... Porque será?

A Luta é Alegria!!!

Ama

Aprende

Agradece

Curso de Político Gratuito

Santos Eléctricos

Caros amigos e amigas, desejo partilhar com vocês um texto que escrevi para a primeira edição da fanzine You Are Here que saíu em Setembro passado. O texto está mais abaixo bem como a lista de pontos de venda.
Gosto muito dos eléctricos de Lisboa. Como lisboeta sem carro (desde há uns anos) é mesmo o meu meio de transporte favorito. Estou indignada com o aumento de preço da tarifa de bordo: de 1,45€ passou para 2,50€. E estou indignada por não ter tido acesso a essa informação nos mesmos moldes em que Carris informa os seus passageiros de outros assuntos. Quem anda de autocarro tem visto nos últimos tempos a campanha "Valide Verde". Nas portas ou pendurados por todo o lado estão cheios de autocolantes gigantes que dizem coisas como "sou preguiçoso mas valido verde! Não custa nada!" (http://www.carris.pt/pt/campanhas-de-marketing/2010/campanha-valide-verde/).
Também não custava muito à Carris prestar informações como alteração de carreiras, cancelamento de serviços, tarifas de bordo e uma atençãozinha pelo cliente/utilizador avisando-o com alguma antecedência. E podia custar bem menos do que esta campanha agressiva que fizeram para pagarmos bilhete!
Também gostava de saber o que pretende a Carris com este aumento. Afastar definitivamente os lisboetas deste meio de transporte? Chular os turistas? Serão tudo razões que a razão desconhece...


Santos Eléctricos
Faz calor pela manhã. Faz calor mas temos frio nos edifícios públicos, no cinema, nos autocarros. Câmaras frigoríficas incubadoras de resfriados e constipações. Durante o Verão será assim. Já aprendi que nos dias mais quentes, se quiser utilizar estes serviços, vou ter de carregar um casaquinho.
Tenho um vestido de uma cor que gosto, bem fresquinho. Talvez um pouco excêntrico a avaliar pelos olhares que recebo na rua. Não me faz mal. O pior é tomarem-me por estrangeira mas até gosto disso.
Gosto também de ver esta cidade como se não a conhecesse e descobri esse gosto enquanto trabalhei no Bairro Alto. O contacto com os estrangeiros mudou a minha maneira de ver Lisboa. Durante mais de sete anos, creio que não houve nenhum dia em que não tivesse que falar uma língua diferente do português. Gente de todas as idades e proveniências geográficas mostrava-se curiosa e encantada pela cidade onde nasci e dava-me pistas para perceber porque é que eu gosto de aqui viver. O clima, a luz, a beleza dos bairros antigos, a história, a cultura.
Ao mesmo tempo fui mudando alguns hábitos: troquei de casa e fiquei mais perto do sítio onde trabalhava, vendi o carro e passei a andar a pé e de transportes públicos. Fez-me ter um estilo de vida em que era fácil sentir-me turista.
Os turistas adoram os eléctricos. Acho que se não fosse por eles já não os tínhamos. Lembro-me de gostar dos eléctricos mas de não andar neles por achar que eram lentos. Entro no 25 e aprecio o lugar à janela, que está aberta. Não trago casaco, já sabia que não ia precisar. Há um carro estacionado nos carris. A “falta de tempo” de algum condutor vai-nos fazer perder tempo também. Agora percebo porque são lentos. Mas são injustamente acusados. Chego ao meu destino e resolvo rapidamente o que tenho a tratar. Regresso no 28, mas este está mesmo cheio. Turistas aos molhos e velhinhas zangadas por irem de pé. Faço o reconhecimento de potenciais carteiristas e encosto-me na rectaguarda. Uma canção diz que os eléctricos fazem coro com as chinelas da Ribeira (o mercado da Ribeira mantém-se mas sem a agitação de outros tempos. Agora também tem artesanato e bailes de séniores). Ainda sei cantá-la e faço-o mentalmente. Acontece-me sempre isto nesta altura do ano. Fico imbuída de espírito de festa e só me apetece cantarolar canções das marchas. Apareceram no Estado Novo e lá se vão mantendo para lá de ideologias. Mas já antes disso se festejava Santo António e já muito antes de Fernando de Bulhões, o nome do nosso santo, ter nascido, se faziam as festas juninas dos calendários pagãos. A entrada no solestício era marcada pela celebração da Natureza e isso traduzia-se naquilo que ainda hoje fazemos: comida, bebida, música, dança. Com todo o tipo de excessos.
Cantarolando lembro-me das noites de Santo António. Noite longa da cidade em festa. Mesmo em criança podia participar e fazia-o com satisfação na casa da avó de Alfama. A casa ainda lá está, mesmo por trás da Igreja de São Vicente, o verdadeiro padroeiro da cidade mesmo que não seja muito popular. É santo porque foi mártir quando ser cristão era vanguarda mal vista pelos romanos. As suas exéquias transportadas desde Sagres até Lisboa e acompanhadas por corvos míticos, permanecem nas insígnias da cidade. Mas isso foi tudo há muito tempo, ainda antes do outro, casamenteiro e milagreiro ter nascido. Curiosamente, foi no Mosteiro de São Vicente que Santo António entrou como noviço no final do século XII. Foi canonizado menos de um ano após a sua morte e mantém uma popularidade impecável.
Saio nas Portas do Sol e visito um amigo que ali tem uma pequena casa com uma grande vista. Estamos a organizar um arraial mais privado só para um grupo de amigos. Queremos sardinhas e pimentos assados com carvão vegetal e não mineral mesmo que isso nos faça mal à saúde. Queremos copos de vidro em vez de plástico e música pop em vez de popular. Santo António para ateus, pagãos e cristãos.
Regresso a Santos ainda de eléctrico. Troquei outra vez mas sem mudar de estilo de vida. Aqui vivo e trabalho. Quase não há turistas. Mas é pena.


Pontos de venda "You Are Here":

A Outra Face da Lua (Rua da Assunção, 22)
Amor Corvo - Artesanato Urbano (Travessa da Queimada, 26 A)
Buccholz (R. Duque de Palmela, 4)
Bússola Criativa - Centro de Estudos e Artes (Av. Álvares Cabral, 63 A)
Fábrica Features (Rua Garrett, 83 - 4º - Prédio da Benetton do Chiado)
Flur (Av. Infante D. Henrique, Cais da Pedra, Santa Apolónia)
Hotel Florida (Rua Duque de Palmela, 34)
Ler Devagar (LX Factory)
Letra Livre (Calçada do Combro, 139)
Livraria Babel Chiado (Rua da Misericórdia, 68)
Livraria Babel São Sebastião (Av. António Augusto de Aguiar, 148 R/C)
Livraria Galileu (Av. Valbom, 24 A CASCAIS).
Livrarias Bulhosa
Louie Louie (Rua Nova da Trindade, 8 A)
Matéria Prima Lisboa (Rua da Rosa, 197)
Matéria Prima Porto (Rua da Picaria, 84)
Pó dos Livros (Av. Marquês de Tomar, 89 A)
Poesia Incompleta (Rua Cecílio de Sousa, 11)
Quiosque do Largo do Carmo
Universidade Nova de Lisboa (FCSH) - Associação de Estudantes (Av. de Berna, 26-C)

le bien, le mal

“The only thing necessary for the triumph of evil is for good men to do nothing”. 
Edmund Burke (1897-1993)